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Publicada em 03/04/2008 às
08h35m
Leonardo Lichote - O Globo
Canal Brasil
exibe série de shows de bossa nova e música instrumental
RIO - Com uma leitura jazzy de "Só danço samba",
a cantora Wanda Sá abre esta quinta-feira, às 22h,
na "Faixa musical" do Canal Brasil (veja
trecho), uma série de shows
de bossa nova e música instrumental - exibidos a cada primeira
quinta-feira do mês, até novembro. Rara oportunidade
de se ver na TV apresentações completas de nomes
como Cristóvão Bastos, Celso Fonseca e Pascoal Meirelles.
Nesse caso, como explica o diretor Paulo Severo, exatamente o
que foi visto pela platéia:
- Foi gravado ao vivo, direto, sem interrupções
ou repetições. Não fizemos como comumente
acontece nos DVDs ou musicais de TV, onde há um padrão
de luz e enquadramento e menos liberdade para lidar com o erro
do artista. Foram usadas seis câmeras, que ficaram livres,
não foram monitoradas com o diretor falando no ponto. O
resultado é fiel ao que se viu no teatro.
Shows foram gravados na Casa de Cultura Laura
Alvim
A origem do programa de TV é a série Rio Música
InCena, realizada no teatro da Casa de Cultura Laura Alvim em
outubro e novembro de 2007 - apenas um dos shows, o da compositora
Fátima Guedes, não foi gravado. A produtora Cristiana
Gurgel, responsável pelo projeto, acredita que a exibição
dos shows é importante na formação de platéias
para a "música brasileira de qualidade".
- Os shows foram maravilhosos, representam a riqueza
enorme da música brasileira. Mas o público não
compareceu no volume esperado - conta a produtora. - Precisamos
trabalhar, portanto, na reconstrução dessa platéia.
Nesse sentido, a exibição na TV é fundamental.
No show que será exibido hoje, Wanda passeia
por um repertório que inclui "Água de beber",
"Rio" e "Samba de uma nota só" ao lado
de clássicos americanos, como "But not for me"
e "Cheek to cheek". Mais que unir músicas dos
dois países, a cantora também cruza linguagens,
acompanhada de Dôdo Ferreira (baixo e arranjos), João
Cortez (bateria) e Adriano Souza (piano). As canções
dos irmãos Gershwin e companhia ganham acento bossa-novista.
E vice-versa.
- Dou às canções (brasileiras)
uma roupa diferente, mais jazzística. A bossa nova permite
essa abertura - acredita a cantora.
Em maio, o Canal Brasil exibe o show do saxofonista
e flautista Mauro Senise, calcado em canções de
Edu Lobo. O guitarrista Victor Biglione é o artista de
junho, com sua leitura pessoal da bossa nova.
- Biglione dá um banho ao unir a tranqüilidade
da bossa nova com sua guitarra nervosa de bluesman - elogia Severo,
apontando seu favorito.
A "slow motion bossa nova" do compositor
Celso Fonseca dá o tom em julho. No mês seguinte,
o pianista Gilson Peranzzeta relê canções
como "João e Maria" e "As rosas não
falam". O baixista Bruce Henri se lança com originalidade
sobre a obra de Villa-Lobos, o que encantou a produtora Cristiana:
- São surpreendentes suas releituras contemporâneas
para as músicas do maestro.
O pianista Cristóvão Bastos,
com um repertório que inclui "Todo sentimento",
famosa parceria sua com Chico Buarque, é a atração
de outubro. Encerrando a série, o baterista Pascoal Meirelles
vai de "Estamos aí" e "Ponteio", entre
outras.
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